Welcome!

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

O último ato



A vida é um copo. Nós somos o líquido, ou nos enchemos dela, ou ela se enche de nós.
Nós pronomes ou nós atados?
Está cercado por uma esfera de vidro não nos deixa escorrer ou tomar novas formas.
Nus estamos, ou vestidos para cada ocasião. Um baile a caráter é um final de festa.
Cada um se veste como quer.
Todo dia a mesma coisa, o mesmo lugar, o mesmo copo.
A diferença está no tempo. O céu está claro ou venta muito.
Chove ou faz sol.
Não acredito em horóscopos, mas os astros influenciam ou sou eu quem muda o astral.
Os astros não são influenciados, são conjuntos de cada personagem que vivem durante a eternidade.
Em cada peça, uma cara e uma roupa. Pra muitos espelhos, muitas imagens.
Simulamos a vida porque são vários os participantes.
Cada qual com seu papel representando.
Basta ser um bom ator, saber pintar o próprio rosto, esconder a tristeza que esquecemos e tentamos disfarçar.
Cada um sem seu canto, ninguém é de ninguém, nem o que somos ou pensammos.
Sequimos a corrente de volta.
Tudo nos espera como era antes, talvez pior. Porque um problema não resolvido é algo que só cresce. Existem as consequências, aquarelas e fios, sonhos e pesadelos.
Quando se lava o rosto, é que se percebe como as horas passaram rápido, as expressões vazias nos olhares.
Quando as cortinas descem é que percebemos que são grades e que estamos na armadilha.

Bárbara.

Paralelas


"Continuo sorrindo,
Apesar de ter chorado.
Continuo andando,
Apesar de ter parado.
Continuo falando,
Apesar de ter calado.
Continuo lutando,
Apesar de ter xingado.
Continuo amando,
Apesar de ter desamado.
Continuo estudando,
Apesar de ter cansado.
Continuo vivendo,
Apesar de ter morrido.
Morrido a cada desespero,
A cada palavra interrompida,
A cada passo fracassado,
A cada amor mal recebido
Em todo viver mortificado.
Ainda sobrevivo apesar de tudo.
Porque apesar de tudo,
O otimismo surge em forma de vida."

Anarquia Poética

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Um dia


Pois bem, para que fingir que está tudo conforme o combinado?
Melhor sair correndo com a mala na mão do que ficar aqui parado esperando algo acontecer.
Dentro, existe muito mais do que dinheiro e papéis, mesmo que os dois sejam a mesma coisa, a minha vida é maior, bem mais do que eu queria ter para explicar.
Se é possível definir o que está havendo...
Agora tive aquela impressão, de que minha mente estava em tal liberdade explendida,
jamais cometida pelo homem uma vez por dia, um instante só meu, agora era praticamente o pra sempre. Sim, decidi largar tudo, para cuidar do meu eu-interior.
Será que você me entende?
Acho que não, estamos tão bem acostumados a ficar bisbilhotando o alheio
sem nos interessar pela primeira pessoa do singular,
ainda mais temos que dar satisfação de tudo,porque não queremos ser julgados.
Mas, agora se é que me compreende melhor, vou caminhar sem pensar em nada, disposto a esquecer o que me vier a cabeça, escolher a melhor sombra para caminhar, desviar até de alguém que me perguntar as horas.
Hoje, tomei uma atitude, um remédio, tudo ficou diferente e igual em uma sintonia só.
Estou sozinho e acompanhado do meu paradoxo de desvendar problemas que antes não me dispunha de tempo, como resolver uma palavra cruzada, ouvir o som do meu coração que tem melodia e letra, parar para ver as nuvens passar, abrir um dicionário e descobrir um termo novo, respirar o ar e senti-lo movimentar dentro do meu corpo.
Foi isso que que perdi durante os anos, o meu sossego.
Estou dizendo adeus a minha angústia, a minha depressão de querer ser outra pessoa.
Basta, ter a mim, a minha personalidade, os meus filmes favoritos, as músicas que eu desejo levar sempre na mente para cantarolar quando quiser, o livro com cheiro de poeira que vou abrir para procurar alguma frase dedicada a minha identidade.
Esse sou eu, e nada mais.
Foi isso que eu precisei descobrir antes de ter alguns meses, ou quem sabe mais tempo antes de morrer, pois bem, isso vai acontecer, quando menos esperarmos.
Todos deveriam pensar nisso, para não atropelar o que ainda nos falta, o suficiente para aproveitar sem se arrepender de que somos felizes, e amamos seja lá quem for.

Bárbara.