
A vida é um copo. Nós somos o líquido, ou nos enchemos dela, ou ela se enche de nós.
Nós pronomes ou nós atados?
Está cercado por uma esfera de vidro não nos deixa escorrer ou tomar novas formas.
Nus estamos, ou vestidos para cada ocasião. Um baile a caráter é um final de festa.
Cada um se veste como quer.
Todo dia a mesma coisa, o mesmo lugar, o mesmo copo.
A diferença está no tempo. O céu está claro ou venta muito.
Chove ou faz sol.
Não acredito em horóscopos, mas os astros influenciam ou sou eu quem muda o astral.
Os astros não são influenciados, são conjuntos de cada personagem que vivem durante a eternidade.
Em cada peça, uma cara e uma roupa. Pra muitos espelhos, muitas imagens.
Simulamos a vida porque são vários os participantes.
Cada qual com seu papel representando.
Basta ser um bom ator, saber pintar o próprio rosto, esconder a tristeza que esquecemos e tentamos disfarçar.
Cada um sem seu canto, ninguém é de ninguém, nem o que somos ou pensammos.
Sequimos a corrente de volta.
Tudo nos espera como era antes, talvez pior. Porque um problema não resolvido é algo que só cresce. Existem as consequências, aquarelas e fios, sonhos e pesadelos.
Quando se lava o rosto, é que se percebe como as horas passaram rápido, as expressões vazias nos olhares.
Quando as cortinas descem é que percebemos que são grades e que estamos na armadilha.
Bárbara.






