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terça-feira, 30 de março de 2010

O monstro real

Depois de um dia , ao fim da noite, após assistir um filme repetido na televisão e por fim cochilar no sofá resolvi tomar meu precioso banho.
Com os ombros caídos, o sono no seu melhor momento,os pés se arrastavam pelos chinelos para o banheiro.
Só não previa quando entrei no cômodo o zumbido infernal. Ainda não tinha avistado a coisa, no entanto, sabia que partilhávamos o mesmo lugar.
Os olhos lentos e cansados tentavam acompanhar o vulto que se movimentava. Pensei: Que merda! Logo agora. Na minha cabeça não poderia me presenciar pelada.
Foi então, que começou um duelo.
Eu com minhas pantufas cor-de-rosa na mão com a fúria de querer uma água quente no corpo contra o zum zum com asas.
Após 15 min nada se desenvolveu até que, o inimigo se encurralou no canto do banheiro,acertei em cheio... Inseto nojento de onde teria saído essa hora de noite? É o que pensei às 23 horas!
Esfreguei para ter certeza da morte, afirmei com mim mesma agora não tem mais jeito, matei, vitória, e fui devagar retirei a pantufa de onde estaria a vítima.
Mas, não é que sobreviveu saiu voando batendo como uma bola de pinball nas paredes. Parou no boxe e ficou me encarando.
Acordei com aquela dor de cabeça pós bebedeira, estava sentada abraçada com a privada. Aquele bicho peçonhento havia desaparecido e o seu barulho também.
E nada melhor que um banho após um combate.

Bárbara.

a árvore seca

Brigar sem motivos, gripe, solidão, fazer guerra e matar milhares de inocentes, contar mentiras, fofocar, orgulho ao ponto de não pedir desculpas mesmo tendo certeza estar errado, roubar seja lá o que for, viver em um mundo imaginário e prejudicar o real, falar demais, vícios, estragar expectativas de outra pessoa, ódio, mandar, humilhar, acabar com o futuro, dramatizar para ter aquilo que deseja, terminar um namoro, não acreditar em si mesmo, jogar fora oportunidades, lixar quem tem defeitos, bater em alguém mais fraco, difamar, ser falso, fingir estar interessado, ser muito franco , ferir sem agressões físicas, cantar vitória sem ter ganho ainda, luxúria, dar de culto e ao mesmo tempo ser ignorante, xingar para menosprezar, usar com segundas intenções e essas serem as piores possíveis, futilidade, chorar lágrimas de crocodilo, não ser, vestir-se como uma propaganda ambulante, tornar-se um pseudo-idiota, vangloriar, achar as lembranças mais importantes que o presente, deixar um amigo, sentir-se péssimo e continuar sendo assim, ler um livro fictício ao que vire uma intertextualizando do seu dia-a-dia, querer ser Marx (ou qualquer outro socialista revolucionário), dizer a verdade nua e crua, colocar no lixo todas as esperanças, por que tudo isso tem de ser tão ruim? É, a vida não pode ser enquadrada em tão poucas ações.

sexta-feira, 19 de março de 2010

árvore da vida

Fazer bolinhas de sabão, correr na chuva, comer chocolate e depois lamber os dedos, ganhar presentes, ir em um show de uma banda que gosta, dançar sem ter passos certos, correr e correr sem saber onde quer chegar, sentir se livre no meio de um campo bem verde contrastando com o azul do céu e gritar,fazer origami, cantar no chuveiro, mergulhar em um rio para se salvar do calor, deitar debaixo de uma árvore e sentir a brisa olhando os desenhos que as nuvens formam, comer macarrão fazendo barulho, pular amarelinha,voltar a ser criança comendo mil doces, jogar bola com os amigos, debater sobre um mundo melhor quando ver injustiças, lutar pelos seus direitos, assistir filme comendo pipoca,arremessar amendoins pra acertar na própria boca, jogar sabão no chão e escorregar, assoviar, ler livros enquanto ouve música, falar alto sozinho, desfilar na frente do espelho, dar um abraço, ficar com o namorado escutando sua respiração e o enchendo de beijos, fazer arco-íris com a água da mangueira, passar esmalte, rabiscar enquanto fala no telefone,chorar ao se machucar, conversar sobre assuntos de interesse, prestar atenção no que os outros falam, gelatina, tirar fotos, imitar, querer algo novo, usar frases de canções para definir um momento, sambar sem saber, jogar cartas, dizer que ama alguém, é a vida não pode ser enquadrada em tão poucas ações.

Bárbara.