Estendendo- me os braços, e seguros
De que seria bom se eu os ouvisse
Quando dizem "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há. nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Não acompanhar ninguém.
Não, não vou por aí!
Só vou por onde me levam meus próprio passos
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "Vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, escorregar meus pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada;
Como, pois, pois serei vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?....
Vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a miragem
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Eu tenho a minha loucura!
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me diga: "Vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onde que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou,
Sei que não vou por aí!"
