Uma garota encontrou uma pedra e fez o seu mundo. Digno de passagem, era único aquele pedaço de rocha por ser autoritário, individualista, auto suficiente, e sem elogios para o sua melhor amiga. Era bastante. Um objeto frio. Porém, algo fácil de lidar, qualquer um poderia ter achado essa invisível parte do universo. Só a escolhida havia encontrado. Não queria dividir. Nem dividir. Muito menos dividir. Apenas admirar o que era o seu bem maior. Ali mandava. Criticava. Inventava.Brigava e discutia mesmo que em um monólogo. Conseguia suas próprias conclusões. Já fazia parte do seu pensamento monopolizado.
Certo dia, pediram para olhar. Se recusou. Por que outros deveriam desfrutar do que a pertencia de direito? Ela mandava. Ela era a lei. Ela última e primeira palavra era a se si. Sim, a mesma. A matéria mineral dura e sólida estaria ali. Após toda a sua vida. Sem livre e espontânea vontade.
Até que a opressão fez a pedra quebrar. Duas metades. Semelhantes ao ver nu. Indiferentes profundamente.
Uma canção singular. O idealismo terminou cedo. O socialismo se dissolvera. A união das duas não durou. Um lado desprendido o outro duro. Ambos partiram sem falar nada. Imóvel. Inôrganico. Inanimado. Uma menina que decidida a levar isso para sempre, se afastou de todo o resto. Nunca teve uma história verdadeira para contar.
O medo de ser rejeitada. Calou a separação. O final feliz quando jogou a pedra no mar e a viu afundar.
A libertação da alma começou com suas próprias limitações e enxergar que vivia em uma ilha deserta que se dividiu...
Bárbara.

